Você assistiria a uma Olimpíada só de robôs?
A armadilha do “mais do mesmo” na era da IA e, no final, uma pergunta ao ChatGPT.
Eu vi essa provocação num post no Instagram da fonoaudióloga Juliana Trentini sobre inteligência artificial e ela me chamou a atenção porque ela fala exatamente do lugar onde a gente está agora.
Quando a conversa sobre inteligência artificial começou a se espalhar de verdade, lá em 2022, eu fiz um curso de inteligência artificial porque eu precisava entender o que isso significava e como funcionava. Como empresária, eu sentia que eu precisava pelo menos saber do que se tratava. Eu, que detesto trabalhos repetitivos, fiquei maravilhada com o que a IA podia fazer.
Com a popularização da IA generativa nós, ainda presos a cultura da padronização e produtividade que nos foi trazida lá no século 18 com a primeira revolução industrial quando a gente colocou a padronização no centro da vida econômica, ficamos encantados com essa tecnologia de fácil acesso, fácil consumo e alta produtividade.
Mas, como já era esperado, a gente está perdendo a mão. O que eu mais vejo por aí é gente tentando fazer dar certo uma espécie de “Olimpíadas” de robôs.
A IA veio para automatizar o repetitivo e o linear, mas ela está sendo usada para ocupar um lugar que é nosso, um lugar onde nós, como seres humanos, somos imbatíveis, só que há anos nós vimos negligenciando e deixando enferrujar por falta de exercício. Nós estamos usando uma ferramenta feita para trabalhos lógicos para criar.
E aí a gente entra numa era em que tudo começa a ficar igual. Já reparou?
A IA é um sistema computacional que aprende padrões em grandes volumes de dados e da uma resposta provável. Ela é excelente para organizar, resumir, acelerar, sugerir, estruturar, fazer a parte lógica. Ela funciona como um motor de padrões. Ela é perfeita para essa padronização e produtividade porque ela nada mais é do do que um super processamento de dados.
Só que o nosso cérebro pensa de um jeito totalmente diferente de como a IA processa. A IA é lógica e linear. O cérebro humano não é linear. E nós precisamos olhar pra isso.
O cérebro humano é um sistema vivo que constrói sentido a partir do corpo, da emoção, da cultura, da experiência, do nosso propósito.
E é aí que está o pulo do gato.
Sem a nossa força criativa, a inteligência artificial só vai repetir mais do mesmo. E, em muito pouco tempo, nós vamos estar saturados do mesmo. Eu, pelo menos, já estou.
Vamos voltar a analogia que a Juliana fez sobre a Olimpíada de robôs. Você consegue imaginar? Não teria a menor graça! E não tem graça porque a gente não se importa com máquinas, a gente se importa com gente, com seres vivos.
O que prende a nossa atenção é a vulnerabilidade humana. A gente se conecta por vínculo. A gente se conecta na fala do outro, numa conversa, porque a gente se reconhece ali, porque existe empatia, existe vida, existe emoção, porque existe história.
E essa conexão não existe com uma máquina.
E, se em alguns casos ela parece existir, como no filme Her, é porque algo grave está acontecendo com a gente. Nós estamos ficando rasos, deixamos a IA nos padronizar também. É como se nós estivéssemos assistindo a uma Olimpíada de robôs e achando legal.
Mas, se você ainda está aqui, e ainda não vê graça numa Olimpíada de robôs, então nós estamos na mesma página. E precisamos entender uma coisa: não dá mais pra colocar na mão da IA justamente aquilo que nós fazemos de melhor.
Então, o que eu acredito que vai acontecer, se é que já não está acontecendo, é que a gente vai cansar de consumir mais do mesmo. Ninguém, ou pelo menos quem ainda “pensa como humano”, tem pensamento crítico e tá me acompanhando nessa conversa, vai querer ler textos lógicos querendo transmitir humanidade. O que vai se destacar é o que está fora da padronização, diferente do que a IA sabe fazer muito bem.
Eu acredito que a próxima era vai valorizar cada vez mais o que é genuinamente humano.
É a era da criatividade…a era do imperfeito, do improvável, da conexão real, do plot twist, da autenticidade, não aquela que está todo mundo vendendo por aí, mas da autenticidade real.
E a nossa responsabilidade como espécie é investir nisso, no que nós somos realmente bons e deixar o resto para as máquinas.
E, só pra deixar claro, a discussão aqui não é ‘usar ou não usar’ inteligência artificial. É sobre como usar e o que a gente está chamando de humano no meio disso. Dá pra cocriar muita coisa legal com a IA, desde que ela fique no lugar certo: ela como ferramenta, como lógica, como braço operacional, e nós como mentes pensantes, com intenção, gosto e direção.
O que a gente precisa cuidar é para não deixar que ela nos padronize, faça a gente pensar como máquina e acabe roubando justamente o que é a nossa força como espécie, a criatividade, a linguagem viva, o pensamento crítico, a capacidade de dar sentido e criar algo que não existia.
É nosso dever proteger e fortalecer esse diferencial humano no meio dessa era da padronização. A gente precisa de humanidade.
E é por isso que eu vejo a criatividade como algo que precisa ser acessado a partir do que a gente tem de mais humano, aquilo que nos diferencia não só das máquinas, mas também uns dos outros.
Porque não é sobre ser a gente contra as máquinas. É sobre nós, plurais, nos mostrando de forma única uns para os outros.
E a gente só vai conseguir isso se parar de pensar como robôs.
O humano não cria por probabilidade. O humano cria por sentido.
A gente cria a partir de experiência, de percepção, de corpo, de emoção, de intuição, de repertório vivido, de valores, de desejo, de dúvidas. A gente cria porque algo importa, porque achamos bonito.
Se você entrega a sua criação para um sistema que opera por padrões, você recebe mais padrões. E quando todo mundo faz isso ao mesmo tempo, o mundo fica lotado de versões diferentes da mesma coisa.
É por isso que pra mim, desbloquear a criatividade é recuperar acesso ao que é humano em nós, recuperar intenção, recuperar presença, recuperar clareza, recuperar coragem de fazer do nosso jeito.
Como eu trabalho o desbloqueio criativo
No Programa 5 Ups eu não te ensino a criar como um robô, no modo “processamento de dados”. Eu te ajudo a construir as suas próprias ferramentas para criar a partir de você, das suas experiências como ser humano, que são absolutamente únicas. A intenção é que você consiga criar a partir do que existe de mais vivo dentro de você. E, pra mim, não tem nada mais lindo do que isso.
Porque o que você tem que uma máquina não tem é a sua forma de ver, de sentir, de conectar pontos, de escolher, de dar significado. E quando você acessa isso, você para de soar igual e começa a criar algo que tem assinatura.
É por isso que o 5 Ups é tão diferente para cada pessoa. Você não aprende uma receita técnica. Cada um cria o que já está latente dentro de si para ser criado. Tem gente que cria projeto, tem gente que cria experiências, tem gente que cria metodologia, tem gente que cria arte, tem gente que cria uma vida com mais sentido, um jeito diferente de trabalhar.
Eu não sei o que existe dentro de você esperando para nascer, mas eu vou te ajudar a acessar isso.
A nova turma começa logo depois do carnaval, dia 23 de fevereiro, para você começar 2026 colocando na sua vida esse movimento criativo e criando o que você veio criar. Se você quiser fazer parte, clica aqui para ver os detalhes e me manda uma mensagem se quiser conversar.
Novidade: vagas abertas para mentoria individual
Abri três vagas do 5 Ups no formato individual, com valor especial. Se fizer sentido para você, clica no botão abaixo e me chama.
Perguntei para o ChatGPT o que ele achou desse meu texto e aqui abaixo estão dois pontos que eu achei relevantes trazer da resposta, porque, como de praxe, boa parte veio concordando comigo rs.
A IA não mata criatividade, ela expõe o quanto a gente já vinha terceirizando a própria autoria.
Muita gente já escrevia no piloto automático antes. A IA só acelera. Ela vira um espelho meio cruel: se você não tem intenção, repertório e critério, você vira curador de rascunho alheio. Se você tem, ela vira ferramenta de ampliação.O problema maior não é a ferramenta, é o ecossistema de recompensa
Algoritmo, métrica, pressa, volume, medo de ficar para trás. Esse pacote é o que empurra a padronização. A IA se encaixa perfeitamente nisso, mas não inventou isso. Então quando você critica, está criticando uma cultura inteira de produção, e eu acho isso bom, porque é mais verdadeiro.





Gabiiii que delícia ler esse texto, eu também acredito muito que será assim! ♥️
Também acredito que a próxima era vai valorizar mais o trabalho humano. As artes plásticas, a escrita, a música... Inclusive, acho que tudo isso será artigo de luxo.